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Negligência educativa: quando a ausência de limites forma comportamentos de violência.



negligência educativa


Os relatos e depoimentos sobre o triste ocorrido com o cachorro Orelha provocaram comoção, indignação e dor. Não apenas pela violência em si, mas pelo que ela revela sobre o modo como estamos formando, ou deixando de formar seres humanos.


Não se trata de um ato isolado. Tampouco de um impulso momentâneo. O que vimos é o resultado de um conjunto de fatores que se acumulam ao longo do desenvolvimento: ausência familiar, negligência educativa e modelos parentais que validam o poder, a intimidação e a violência como forma de relação.

 

Quando familiares de um dos agressores do cachorro ameaçam um porteiro, que apenas fez o que era o certo, utilizando discursos como “você não sabe com quem está falando”, não estamos diante de um episódio pontual. Estamos diante da reprodução de um modelo de comportamento aprendido, legitimado e reforçado ao longo do tempo.

 

De acordo com as reportagens, duas ou três pessoas, armadas de discurso e status, intimidando um trabalhador sozinho, acuado e desarmado. Essa assimetria de poder é a mesma lógica que sustenta a violência contra quem não pode reagir, seja um trabalhador, seja um animal indefeso.

 

O agravante é a reincidência. No dia seguinte, os mesmos agressores retornam para tentar fazer outra vítima. Outro cachorro, torturado na tentativa de afogamento, que só consegue se salvar por acaso. Isso não aponta para impulsividade. Aponta para ausência de freio moral, sensação de impunidade e falhas graves na construção de limites internos.

 

Casos como o de Pedro Turra seguem a mesma lógica estrutural. Mais uma vez, observa-se a tentativa apressada de explicar comportamentos extremos a partir de fatores individuais ou diagnósticos, enquanto se ignora o percurso formativo que antecede o ato. Não são comportamentos que surgem do nada. São trajetórias marcadas por validação do "poder", relativização do erro e ausência consistente de responsabilização ao longo do desenvolvimento.

 

autoridade é fragilizada
Quando a autoridade é fragilizada, quando as consequências são constantemente anuladas e quando o outro deixa de ser reconhecido como sujeito, o comportamento transgressor não encontra limites internos. Ele se repete, escala e se naturaliza...

 

O que a Psicopedagogia nos ajuda a compreender frente à negligência educativa

 

Falo aqui de comportamento de manada, quando a responsabilidade individual se dilui no grupo e o sujeito passa a agir a partir da validação coletiva. O “eu” se esconde atrás do “nós”, e o senso de responsabilidade se fragmenta, se desmancha e se perde.

 

Podemos falar também de comportamento de linchamento, no qual a empatia é suspensa pelo grupo e a violência passa a ser legitimada pela sensação de "poder", superioridade ou impunidade. Nesse contexto, o outro deixa de ser percebido como sujeito e passa a ser tratado como objeto.


Do ponto de vista do desenvolvimento humano, é fundamental lembrar: nascemos com potencial para o cuidado, mas também para a crueldade. O que nos define não é esse potencial em si, mas como ele é conduzido ao longo da vida.

violência extrema

 

Essa condução acontece, antes de tudo, nos vínculos primários: pelos modelos, pelos limites, pelos valores e primordialmente

dentro de casa.

 



Neste caso, a violência pode estar muito mais associada à negligência educativa, à ausência de limites claros e à validação do poder do que a um diagnóstico clínico. E aqui é essencial fazer uma distinção ética e técnica: não patologizar precocemente comportamentos que foram aprendidos, reforçados e normalizados.


 

Cão Orelha



Educação positiva não é educação permissiva

 





Vivemos hoje uma confusão perigosa entre educação positiva e educação permissiva. Educação positiva não é ausência de limites. Não é retirar consequências. Não é proteger filhos de frustração, espera ou responsabilização.

 

O que se observa, com frequência, são pais que se eximem de uma educação firme, coerente e consistente, justificando a ausência de limites em nome do afeto, da liberdade ou de uma suposta não violência. O resultado não é autonomia. É desorganização psíquica, fragilidade moral e dificuldade profunda de lidar com o outro.


Limites não traumatizam. O que traumatiza é a ausência deles. Consequências não são punições; são ferramentas fundamentais de aprendizagem moral e social. Crianças e adolescentes que não aprendem a lidar com frustração, regra, espera e responsabilidade tendem a buscar o controle pela força quando o mundo não se submete aos seus desejos.

 

Formação Moral

Antes de recorrer a laudos ou explicações clínicas, é preciso perguntar com honestidade: que formação moral e ética está sendo ensinada, ou omitida, dentro de casa?

 


A responsabilidade social começa na responsabilidade familiar. Enquanto insistirmos em tratar como “casos isolados” aquilo que é resultado de falhas educativas repetidas, seguiremos apagando incêndios em vez de cuidar das causas.


Me responda: quando a violência nasce no que foi normalizado ao longo da vida, o que podemos esperar de uma sociedade?
Luto Cão Orelha


Luciana Mello - Psicopedagogia Humanizada

Eu sou Luciana Mello,

Pedagoga com especializações em Psicopedagogia, Análise do Comportamento Aplicada (Applied Behavior Analysis - ABA) e Relações Interpessoais, e com mais de 20 anos de experiência, meu trabalho é guiado pelo respeito à singularidade de cada indivíduo, integrando os aspectos cognitivos, emocionais e sociais.




Acredito no desenvolvimento pleno de crianças, jovens e adultos, considerando sua totalidade. Para promover um crescimento integral e harmonioso, utilizo práticas que acolhem e valorizam o potencial de cada um, oferecendo um atendimento personalizado e humanizado.


Convido você para navegar pelo site! 😉



Psicopedagogia Humanizada - Educação & Saúde

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