top of page

O Mito do Amor Materno

Atualizado: 5 de mai.

No universo da maternidade, o verbo “maternar” assume diferentes formas e significados. Entre visões tradicionais e contemporâneas, a forma como a maternidade é entendida e vivida ainda carrega fortes marcas culturais, sociais e emocionais.

Depois de ler Um Amor Conquistado: O Mito do Amor Materno, de Elisabeth Badinter, fiquei profundamente impactada. A obra provoca um desconforto necessário, um nó na cabeça e outro no coração, ao questionar a ideia do amor materno como algo instintivo, natural e universal. A partir daí, olhar para o verbo “maternar” passou a ter outros contornos.


VOCÊ SABIA que ao entendermos as complexidades e pressões culturais que moldam a maternidade, podemos ampliar nossa visão sobre o amor materno além do instinto inato e inquestionável? Talvez a pergunta mais importante agora seja: o amor materno é realmente inato ou também pode ser construído a partir de desejos, vivências e contextos sociais?

Luciana Mello - Psicopedagogia Humanizada

Ao desconstruir esse mito, podemos refletir sobre o verdadeiro significado de "maternar".

Ao longo da história, a maternidade foi idealizada como destino natural da mulher, associada à plenitude e à realização pessoal. Sob essa perspectiva tradicional, o “maternar” se confunde com sacrifício, renúncia e sobrecarga, muitas vezes concentrando na mulher uma responsabilidade quase exclusiva pelo cuidado. Esse modelo, ainda presente, sustenta um peso social significativo; silencioso, constante e, muitas vezes, invisível.


Por outro lado, há uma leitura mais contemporânea que reconhece a maternidade como escolha e não imposição. Nessa visão, o desejo de ser mãe pode existir, mas não necessariamente de forma automática ou instintiva. Ele também pode ser construído, amadurecido ou até mesmo não existir; e isso não invalida o feminino, nem a capacidade de amar e cuidar.


Elisabeth Badinter, ao desconstruir o chamado “mito do amor materno”, nos convida justamente a isso: a retirar a maternidade do campo do dever absoluto e trazê-la para o campo da experiência humana, plural e atravessada por contextos históricos e sociais.


O amor materno pode precisar de tempo para ser construído.

Dentro dessa perspectiva, “maternar” deixa de ser apenas uma obrigação biológica e passa a ser compreendido como um ato de cuidado, vínculo e responsabilidade emocional que pode se manifestar de diferentes formas, na maternidade biológica, na adoção, na tutela e também em relações afetivas como a de avós, tias, madrinhas, educadores e cuidadores.


Ao integrar essas diferentes leituras, ampliamos nossa compreensão sobre o que é cuidar. O “maternar” deixa de ser um papel fixo e passa a ser um gesto humano, possível em múltiplas relações, desde que exista vínculo, presença e afeto.


O livro nos lembra que o amor materno não deveria ser uma exigência social ou um fardo silencioso, mas uma possibilidade atravessada por escolha, contexto e subjetividade. Também nos convida a olhar para a mulher para além da maternidade, reconhecendo sua identidade múltipla, suas necessidades e seus limites.


Desmistificar o mito do amor materno não é negar o amor entre mãe e filho, mas libertá-lo da obrigação de ser perfeito, automático ou exclusivo. É permitir que ele exista de forma mais real, possível e humana.


Luciana Mello - Psicopedagogia Humanizada

Podemos reconhecer e valorizar todas as formas de cuidado e amor, nas mães biológicas, nas mães do coração, nas cuidadoras, nas mulheres que desejam ser mães e nas que não desejam. Todas legítimas em sua existência.

Desejo uma feliz maternagem, mais consciente, mais leve e mais humana, para você.





Sou Luciana Mello, Pedagoga e Psicopedagoga, Especialista em Análise do Comportamento e em Relações Interpessoais. Atuo há mais de 20 anos na interface entre educação e saúde, sempre com um olhar sensível e humanizado.

Também sou autora do livro Enquanto o Lápis Espera.

Minha missão é oferecer um olhar biopsicossocial e acolhedor a crianças, adolescentes e adultos que enfrentam desafios na aprendizagem e no desenvolvimento.

Conte comigo!

Psicopedagogia Humanizada


Se você se identificou com essas reflexões ou tem experiências para compartilhar, clique aqui e envie sua proposta de texto.

Convido você para navegar pelo site e a se inscrever em nosso Blog.

Te espero!





bottom of page